América do Sul, subcontinente americano cuja extensão é de 17.819.100 km2, abrangendo 12% da superfície terrestre. Une-se a América Central, ao norte, pelo istmo do Panamá. Tem uma extensão de 7.400 km desde o mar do Caribe até o cabo de Hornos.
Ela é composta pelos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (departamento sob a jurisdição da França). Existem ilhas no oceano Pacífico que se localizam a grande distância do continente, como o arquipélago de Juan Fernández e a ilha de Páscoa, que pertencem ao Chile; e o arquipélago de Galápagos, pertencente ao Equador. Perto da costa atlântica está o arquipélago de Fernando de Noronha, que pertence ao Brasil, e muito mais ao sul as ilhas Falkland, conhecidas também como ilhas Malvinas, sob domínio britânico e que são reclamadas pela Argentina. A linha costeira da América do Sul é bastante regular exceto no extremo sul, onde se fragmenta em inúmeros fiordos e ilhas.
A América do Sul tem sete grandes áreas geográficas: quatro regiões altas, que se estendem da costa até o interior, e entre elas, três regiões baixas. A faixa ocidental está marcada pelos Andes, a segunda em altitude das cadeias montanhosas do mundo. Grande parte da costa norte e oriental está margeada pelos extensos maciços das Guianas, o maciço brasileiro e os planaltos da Patagônia. A região mais extensa de terras baixas encontra-se na enorme bacia amazônica, na zona equatorial do continente, que é banhada pelo rio Amazonas. No norte, uma porção menor de terras baixas é drenada pelo rio Orinoco; ao sul localiza-se a bacia Paraguai-Paraná.
O ponto mais baixo da América do Sul, 40m abaixo do nível do mar, está no Pantanal Matogrossense e o ponto mais alto é o Aconcágua.
Os Andes se estendem desde a Venezuela, ao norte, até o Chile e a Argentina, no sul; na parte central, o sistema se abre em duas ou três cordilheiras ou cadeias paralelas. Na parte ocidental da Bolívia encontram-se os característicos planaltos de grande altura, ou punas. No noroeste das Guianas e no centro do Brasil, os maciços também apresentam extensos planaltos, de menor altura. No relevo do Brasil se destacam as montanhas que se encontram ao longo da costa. Ao sul do continente, localiza-se o planalto da Patagônia.
No extremo norte do continente se encontra a bacia do Orinoco, que compreende as vastas planícies dos Llanos. Ao sul da bacia amazônica encontra-se outra região de vales e planícies, formada pelo Grande Chaco e, mais ao sul, os Pampas que caracterizam grande parte da Argentina, o Uruguai e metade do Rio Grande do Sul, no Brasil.
Grande parte das águas da América do Sul desemboca no oceano Atlântico através de três cursos fluviais: o Orinoco, o Amazonas e os rios Paraguai-Paraná. O rio Magdalena desemboca no mar do Caribe. Cerca de vinte rios andinos de menor extensão, que correm para o Pacífico como o Guayas, o Santa e o Bio-Bio, permitiram manter a atividade agrícola durante séculos nas regiões andinas. Os rios dos Andes, os das Guianas e os do maciço brasileiro possuem um considerável potencial hidrelétrico. O subcontinente tem também importantes lagos, os principais deles são o Titicaca e o Nahuel Huapí.
Predominam regimes climáticos relativamente temperados. A América do Sul é atravessada pela linha equatorial e possui uma grande faixa tropical úmida, que muda gradativamente no norte e no sul, diminuindo a duração das chuvas. Essas zonas têm verões úmidos e invernos sem chuvas, com prolongadas secas. As regiões chuvosas e de clima úmido tropical, estendem-se ao longo da costa da Colômbia e do Equador sobre o Pacífico, com uma drástica transição no Peru e no norte do Chile, cujas costas são áridas. As áreas de clima temperado, ao sul do trópico de Capricórnio, apresentam grandes diferenças entre os litorais leste e oeste; o sul do Chile recebe intensas precipitações por causa das tormentas ciclônicas que vêm do Pacífico, que vão se reduzindo à medida que diminuem as latitudes, trazendo como resultado uma região de clima mediterrâneo. Essa região serve de transição para os desertos que se estendem ao longo da costa, como o de Atacama, um dos lugares mais áridos do mundo. No litoral atlântico não existem esses contrastes, e a transição entre a fria Patagônia e o Brasil tropical é gradual. Na parte ocidental da América do Sul, os Andes constituem a única região de clima frio do continente, além do extremo sul.
Os tipos de vegetação estão estreitamente relacionados com as regiões climáticas. A área de clima tropical e úmido está coberta por florestas com uma densa vegetação; se estende desde a costa brasileira até o sopé dos Andes orientais, abrigando todo tipo de árvores de madeiras duras, samambaias arborescentes, bambus, uma grande variedade de palmeiras e cipós. No sul do Brasil as florestas se abrem para dar passagem às pradarias. Os Pampas, a leste da região central da Argentina, constituem as maiores extensões de pastagens da América do Sul. No centro, a transição é feita com o cerrado, enquanto ao norte da floresta amazônica os lavrados de Roraima continuam nos Llanos ou savanas venezuelanos.
A América do Sul, a América Central, as terras baixas do México e as Antilhas podem ser consideradas como uma só região zoogeográfica, que se conhece como região neo-tropical. Encontram-se ali famílias de mamíferos que não existem em nenhuma outra região do mundo, como por exemplo as lhamas. Outros animais característicos do continente são: a vicunha, a alpaca, a onça ou jaguar, o caititu ou pecari, o tamanduá e o quati. A variedade de pássaros é ainda maior por causa do isolamento e singularidade. São conhecidas aproximadamente 23 famílias e 600 espécies de pássaros exclusivamente neo-tropicais, como os colibris ou beija-flores.
A América do Sul tem diversos recursos minerais que ainda não foram explorados totalmente, embora alguns já fossem conhecidos pelas civilizações pré-colombianas. As jazidas estão distribuídas por todo o subcontinente, mas algumas zonas são particularmente famosas por suas riquezas, como as jazidas de ouro e cobre dos Andes. Na cordilheira central do Peru e na do sul da Bolívia é importante a produção de prata e mercúrio. O leste da região central do Brasil é especialmente rico em ouro e diamantes. Mesmo que a América do Sul continue sendo o maior produtor de chumbo, zinco, manganês e estanho, as grandes reservas de mineral de ferro de alto teor e as de bauxita são mais importantes para o emergente poder industrial do continente. No entanto, não dispõe de grandes reservas de carvão, que se encontram dispersas em pequenas jazidas nos Andes e no sul do Brasil. O petróleo, ao contrário, está muito bem distribuído. A maioria das reservas do combustível e de gás natural pode ser encontrada nas bacias estruturais que se encontram ao longo do sopé dos Andes, desde a Venezuela até a Terra do Fogo, e na plataforma continental atlântica, do Brasil às Malvinas.
|
|